Terceirização financeira cresce como resposta à complexidade da Reforma Tributária
Com o sistema tributário brasileiro classificado entre os mais complexos do mundo e agora em plena transição para o novo modelo, cresce o número de empresas que optam por terceirizar a gestão financeira e contábil, o chamado BPO (Business Process Outsourcing). O movimento é puxado pela necessidade de reduzir a exposição fiscal em um cenário em que as empresas precisarão conviver, até 2033, com dois sistemas de apuração funcionando ao mesmo tempo, o antigo e o novo, cada um com suas regras, documentos e créditos.
O BPO financeiro vai além do básico. Um serviço bem estruturado assume contas a pagar e a receber, conciliação bancária, régua de cobrança, fluxo de caixa projetado e relatórios gerenciais, com rotinas, alçadas de aprovação e rastreabilidade. Os ganhos costumam aparecer rápido: cobrança mais consistente reduz a inadimplência, a conciliação de cartões revela taxas e descontos indevidos, e o empresário passa a decidir com base em números confiáveis, e não em impressões. Em um país onde a inadimplência empresarial bateu recorde, com 8,9 milhões de empresas negativadas e R$ 210 bilhões em dívidas segundo a Serasa Experian, previsibilidade de caixa virou questão de sobrevivência.
Para negócios em que o dono precisa estar na operação, como restaurantes, clínicas e transportadoras, delegar o financeiro a especialistas deixou de ser custo e virou estratégia de crescimento: libera tempo para o atendimento e para as vendas, ao mesmo tempo em que garante que prazos, tributos e obrigações da Reforma sejam cumpridos por quem acompanha as mudanças todos os dias.